Cultura

Pra lá de Marrakesh

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Seja pelos muros das construções em promontórios ou pelas ruas, portas, arcos e janelas que se encaixam como um quebra-cabeça, tanto faz. Qualquer que seja o ângulo de visão, todos os tons de azul invadem Chefchaouen, cidadezinha de 40 mil habitantes localizada nas encostas da Cordilheira do Rif, no norte do Marrocos, entre Tânger e Tétouan.

Fundada pelos mouros exilados da Espanha, em 1471, como uma fortaleza contra os ataques dos portugueses, a vila serviu de refúgio para os judeus após a Reconquista Espanhola, em 1492. A cor da cidade – ou sua marca registrada – vem de uma antiga tradição judaica, da época em que os israelitas recebiam ordens sagradas para tingir os fios dos talits (xales de oração) com uma tintura feita a partir de uma espécie de marisco. Quando a produção do liquido entrou em colapso, a fórmula foi esquecida, mas o azul seguiu entrelaçado ao tecido religioso, pulando de lá para as meias-paredes dos casarios com portas e janelas repletas de arabescos.

Perambular por entre escadas estreitas e ruelas de traçado irregular é uma experiência de outro mundo. Os sorrisos dos locais se abrem com facilidade para os forasteiros como se eles estivessem em um eterno dolce far niente. Algumas celebridades e monarcas, como a ex-modelo britânica India Hicks, o filósofo frances Bernard-Henri Lévy e o príncipe Leopold d`Arenberg, já se renderam aos encantos de Chefchaouen e começaram a se instalar em casas próximas aos souks (os mercados marroquinos).

Alias, por lá não faltam tapetes feitos à mão, roupas e cobertores de lã, produtos de couro, colares, pulseiras, sedas, além de especiarias e chás. O queijo de cabra e as azeitonas da província são típicos. Mas, no meio da agitação, há sempre uma pracinha com jardim por onde circulam pássaros exóticos como a catatuas. Desses recantos é possível apreciar a geografia abrupta e condensada da cidade emoldurada por dois montes em forma de chifres.

Chefchaouen é chamada de “cidade santa” por conta de suas 20 mesquitas. A localizada na praça Uta El Hammam é a única no mundo muçulmano com um minarete octogonal. Por ser palco de tantas imagens insólitas, a “cidade azul” do Marrocos parece ter sido feita para aqueles viajantes que ainda se deslumbram com tradições seculares e arquitetura de sotaque milenar.

Aonde ir

  • São mais de 20 mesquitas e oratórios na cidade. Destaque para a El Masjid El Aadam, construída em 1471, e a “Grande Mesquita”, na praça Uta El Hammam, com seu minarete octogonal – a única em todo o mundo muçulmano.
  • Visite os Jardins de Kasbah e o pequeno museu que abriga uma coleção de armas antigas, assim como tecidos e fotos históricas da cidade.
  • A Ponte de Deus fica a 25 metros do rio Qued Farda, a meia hora de carro de Chefchaouen, e tem uma paisagem de tirar o fôlego.
  • Em um sábado vá à Praia de Targha, na cidade de Oued Laou, à uma hora de carro de Chefchaouen. Não deixe de degustar deliciosos peixes frescos por lá.
  • Faça uma caminhada pelo Parque Nacional de Talassemtane, assentado em uma área de 60 mil hectares nas Cordilheiras do Rif. Lá encontram-se mais de 700 espécies de plantas.

Fonte: Revista Daslu

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