Moda

O SPFW mais democrático (e econômico) dos últimos tempos

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Na última sexta-feira (23) terminou mais uma edição do São Paulo Fashion Week Outono/ Inverno 2016. A dúvida que paira no ar é o que esperar das tendências para as estações mais frias do ano.

Para início de conversa, este ano a edição Inverno nos trouxe uma moda mais viável, mais pé no chão. Destacou também alguns conceitos e outras surpresas – para o bem e para o mal. Comecemos pelo bem: mais modelos negras na passarela, um desfile lindo sobre amor e o retorno das matérias-primas nacionais como bordados artesanais e estampas alegres e coloridas.

O evento que retornou ao prédio da Bienal, no Parque do Ibirapuera, fez brilhar os grandes nomes da moda brasileira. Reinaldo Lourenço fez um desfile muito inspirado, com a azulejaria portuguesa como mote. Alexandre Herchcovitch resgatou seu lado underground e sua série de looks pretos era fetichista, sensual e intrigante – em desfile em plena Prefeitura de São Paulo. Oskar Metsavaht voltou à velha forma trazendo roupas esportivas muito chiques. Gloria Coelho, partindo de referências recorrentes (guerreiros, anos 1960, nórdicos), fez uma coleção poderosa com casacos de couro elegantes e golas modernas de pele de carneiro e coelho.

Ronaldo Fraga acertou a mão com peças femininas e desejáveis. E com uma performance poética, na qual um casal de modelos se despiu e se vestiu na passarela – ela colocou a roupa dele; ele, a dela. Um jeito sensível e delicado para falar de um assunto que está em alta na moda: a androgenia ou “sem gênero”. Se no começo do século passado as mulheres romperam com o armário normativo e adotaram calças compridas, terno e o pulôver, agora é a vez dos homens. No desfile de Ronaldo, homens apareceram de saia. Mas não é só isso. Encabeçado na Europa pelo estilista italiano Alessandro Michele, da Gucci, o conceito propõe uma moda que transita entre os gêneros, com roupas que parecem femininas demais para os homens e masculinas demais para as mulheres.

Ronaldo Fraga apostou no sentimento mais universal e nobre: o amor. Como não se emocionar com um desfile que começa ao som de Teresinha e termina com Tanto Mar, duas das mais românticas músicas de Chico Buarque? Nesta temporada, a estilista Lethicia Bronstein, famosa entre as atrizes de novela e influente nas redes sociais, assina uma linha para a Riachuelo com 78 modelos. Todos eles foram colocados à venda nas lojas da rede no mesmo dia do desfile.

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