Cultura

Enigmático jogo do poder

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Os atores Caco Ciocler e Carmo Dalla Vecchia se revezam nos principais papeis de Caesar – Como Construir um Império

Não é preciso muito esforço para entender as motivações do encenador Roberto Alvim em torno da tragédia Júlio César, obra-prima política de William Shakespeare (1564-1616).

Basta passar os olhos pelo noticiário e prestar bastante atenção na dramaturgia do espetáculo para perceber as conexões possíveis com a realidade, ainda mais a brasileira.

Adaptado e dirigido por Alvim, Ceasar – Como Construir um Império estabelece uma oportuna representação ao colocar todos os personagens nas mãos de dois atores, Caco Ciocler e Carmo Dalla Vecchia. Na trama, o governante romano Júlio César vira alvo de conspiração e, durante uma sessão do Senado, é apunhalado por Brutus, que justifica o homicídio pela derrubada de um tirano.

Aclamado como salvador da democracia, o assassino perde a aura de herói pouco depois, quando novos interessados em redesenhar as alianças entram em ação. Com revezamento de papéis, a alternância vil de ideias se torna ainda mais bem representada porque existe uma dificuldade natural na identificação do interprete, reforçada propositalmente pela dupla.

Ciocler e Dalla Vecchia podem ser César, Brutus, Cássio ou Marco Antônio, de acordo com registro vocal, foco de luz e postura. No fundo, o significado é o mesmo: a complexa tarefa de reconhecer quem está no poder e entender as reais intenções. Elemento fundamental da encenação, a trilha sonora original de Vladimir Safatle confere contornos trágicos, como uma segunda voz dos personagens, e quem embarcar na leitura proposta por Alvim estará diante de uma peça dos nossos tempos (70min). Até dia 25/10.

Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho
Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso.
Tel.: (11) 3397-4002.
Sexta e sábado, 21h; domingo, 20h.
Bilheteria: R$ 20,00.
13h/ 21h30 (ter. a sab.); 13h/ 20h30 (dom.).

Fonte: Revista Veja São Paulo

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